Empresas trabalham mais do que nunca, e ainda assim crescem no escuro. O que está faltando?

Hoje, qualquer empresa tem acesso a ferramentas, cursos e especialistas em poucos cliques. Ainda assim, crescer de forma consistente continua sendo um desafio para muita gente. O problema não está na falta de informação, mas no jeito que ela é usada no dia a dia.

Na prática, muitas empresas trabalham bastante, mas sem uma direção realmente clara. Fazem reuniões, colocam campanhas no ar, mexem em processos, testam ferramentas, ampliam equipe. A rotina é cheia. O resultado, nem sempre.

É esse descompasso que chama a atenção do consultor de growth Cleivan Hebert. A partir da experiência acompanhando diferentes negócios, ele identifica um padrão que se repete com frequência: esforço elevado e pouca clareza sobre o que de fato move o resultado. “O mercado não recompensa esforço, recompensa clareza”, afirma.

O problema é que essa falta de clareza nem sempre aparece de forma escancarada. A empresa não está parada, pelo contrário. Existe movimento o tempo todo. Isso cria uma sensação de progresso que, na prática, não se sustenta nos números.

Grande parte disso vem do critério usado para decidir. Em vez de uma leitura estruturada, muitas escolhas ainda são guiadas por urgência, tendência ou percepção. A empresa reage ao que aparece, tenta acompanhar o ritmo do mercado, mas raramente define um caminho com consistência. O resultado é uma operação que vive apagando incêndio, responde rápido, mas não constrói direção.

Cleivan observa que esse padrão não está ligado ao porte do negócio. Ele aparece em empresas pequenas, médias e até em estruturas mais organizadas. O ponto comum é a dificuldade em identificar o que realmente merece prioridade. “Crescimento começa quando você entende o que parar de fazer”, diz.

Aqui, o foco muda. Não é sobre fazer mais, é sobre escolher melhor. Enquanto muitas empresas tentam crescer adicionando novas ações, o avanço costuma vir quando se elimina o que não contribui e se concentra energia no que realmente impacta o resultado.

A própria trajetória dele ajuda a explicar essa visão. Saindo do interior da Bahia e, depois, se mudando para São Paulo com poucos recursos, tomar decisões com precisão deixou de ser estratégia e virou necessidade. Sem margem para erro, ficou mais claro o que funcionava e o que precisava ser descartado.

No dia a dia das empresas, a falta desse tipo de clareza costuma gerar dois efeitos ao mesmo tempo: energia sendo direcionada para iniciativas que não trazem retorno e pouca atenção aos pontos que poderiam destravar crescimento. A empresa trabalha, mas não evolui na mesma velocidade.

Outro aspecto que pesa é a dificuldade em transformar dados em decisão. Muitas empresas até acompanham números, mas não usam essas informações para ajustar o rumo. Sem essa ponte, os dados viram registro, não direção.

A leitura proposta por Cleivan aponta para uma mudança simples na lógica, mas difícil na prática: reduzir o excesso e aumentar o critério. Em um ambiente com tantas possibilidades, saber o que ignorar passa a ser tão importante quanto saber o que executar.

No fim das contas, clareza não é conceito, é ferramenta de trabalho. E, quando todo mundo parece estar fazendo muito, começa a se destacar quem sabe exatamente o que vale a pena fazer.

Nota da redação:
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