Empreendedorismo e maternidade: a trajetória de Lays Gomes da Silva Amorim Marques
Conciliar a maternidade com a carreira continua sendo um dos maiores desafios para as mulheres, mas a administradora e empreendedora Lays Gomes da Silva Amorim Marques, de Recife-PE, mostra que o empreendedorismo pode ser uma ponte poderosa para encontrar equilíbrio entre os dois mundos.
Ela conta que o maior desafio nesse processo é lidar com as frustrações de não conseguir fazer tudo exatamente como gostaria. Ser mãe exige atenção quase integral e, ao mesmo tempo, dedicação ao trabalho. Para Lays, essa conciliação só é possível com esforço diário e a disposição de se superar a cada nova fase. O fato de já empreender antes de se tornar mãe, no entanto, fez toda a diferença. “Não imagino como seria deixar minha filha ainda com meses em uma creche para voltar ao trabalho e passar o dia inteiro longe dela. O empreendedorismo me deu a possibilidade de estar perto dela e, ao mesmo tempo, seguir desenvolvendo minha carreira”, afirma.

A autonomia que veio com o próprio negócio lhe trouxe flexibilidade para adaptar a agenda às necessidades da filha e da família. Após o nascimento da pequena, Lays decidiu pausar por um ano as atividades profissionais, e hoje reconhece que essa decisão foi essencial. Quando retomou, passou a organizar os compromissos de forma estratégica, encaixando reuniões e demandas profissionais no turno em que a filha está na escola, reservando as manhãs para autocuidado, estudos e captação de clientes. “É um exercício diário de adaptação, mas é dessa forma que consigo estar presente em casa e manter o negócio funcionando.”
A organização é uma das ferramentas que mais sustentam sua rotina. Lays acredita que a chave está em ter clareza das prioridades pessoais e profissionais e dividi-las em metas possíveis, distribuídas entre curto, médio e longo prazo. Ela aprendeu a planejar o dia em blocos de tempo, garantindo momentos exclusivos para cada tipo de atividade. “Não dá para confiar apenas na memória. Isso gera sobrecarga mental desnecessária. Prefiro registrar tudo, seja em ferramentas digitais ou de forma manual. Dessa forma, consigo estar inteira em cada atividade, sem que uma anule a outra”, explica.
Quando pensa em outras mulheres que sonham em empreender, mas têm receio de não dar conta da maternidade, Lays incentiva que deem o primeiro passo. “Apenas comece. Sem pressa, mas com constância. É importante buscar orientação antes de iniciar, conhecer modelos de negócios que ofereçam liberdade de horários e desenvolver habilidades como gestão de tempo, gestão financeira e comunicação. Ao mesmo tempo, é fundamental investir no autoconhecimento, porque só você pode definir suas reais prioridades e encontrar a melhor forma de conciliá-las”, destaca.
Para ela, empreender é também uma forma de empoderamento e liberdade. Ao construir um negócio alinhado com seus valores e estilo de vida, a mulher pode governar sua própria agenda, definir suas prioridades e criar um caminho que fortalece tanto a vida pessoal quanto a profissional. “O empreendedorismo fortalece a autoestima e mostra que é possível gerar renda, impactar outras pessoas positivamente e, ainda assim, estar presente na vida dos filhos. Isso é transformador”, completa.
Vivendo em uma era em que o digital amplia possibilidades e o acesso ao conhecimento e ao crédito é mais democrático, Lays acredita que nunca houve um momento tão favorável para as mulheres empreenderem. Para ela, além de permitir liberdade financeira e geográfica, esse movimento vem sendo impulsionado por redes de apoio e comunidades de networking feminino, que trazem mais empatia às conexões profissionais. “Empreender é um caminho cheio de desafios e superações diárias, mas é a chance de unir maternidade e carreira de forma mais equilibrada, respeitando cada fase da vida e criando um futuro com mais autonomia e propósito.”
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