R$47 e uma passagem de avião: a história de quem aprendeu que clareza vale mais que capital

Há um momento na vida de muitos empreendedores em que o conforto e a ambição chegam a um impasse. Para uns, esse momento chega como uma demissão inesperada. Para outros, como uma oportunidade que exige tudo ou nada. Para Cleivan Hebert, esse momento veio com R$47 no bolso e uma mala em direção a São Paulo — sem rede de contatos, sem segurança financeira, mas com algo que poucos carregam com tanta clareza: a convicção de que conhecimento aplicado gera resultado.

Natural do interior da Bahia, Cleivan cresceu observando o que diferenciava negócios que prosperavam daqueles que apenas sobreviviam. Não era sorte, nem localização privilegiada, nem herança familiar. Era algo mais difícil de nomear — uma combinação de direção clara e disciplina na execução. Essa pergunta silenciosa moldou toda a sua trajetória e, mais tarde, se tornaria o centro do seu trabalho como consultor de growth.

A primeira tentativa no mercado foi humilde e reveladora ao mesmo tempo: vender calçados pela internet. O resultado financeiro foi perto de zero. O aprendizado, porém, foi imenso. Entender por que as pessoas compram — e por que deixam de comprar — tornou-se uma obsessão produtiva que atravessou décadas e diferentes contextos de mercado.

Antes de chegar à consultoria, Cleivan passou por experiências radicalmente diferentes entre si: serviu ao Exército, trabalhou no setor agropecuário, abriu e operou negócio próprio, viveu dentro de uma agência de marketing. Cada fase depositou uma camada de repertório — e, mais importante, de empatia genuína com os problemas reais que empresários enfrentam no dia a dia. Não a empatia teórica de quem leu sobre o assunto, mas a empatia de quem viveu cada um desses contextos na própria pele.

A mudança para São Paulo foi a aposta mais pura nesse repertório acumulado. Sem estrutura prévia, sem padrinho de mercado, ele reconstruiu sua posição do zero. O que surgiu desse processo foi um método próprio de crescimento empresarial — não uma fórmula genérica exportada de livro americano, mas uma abordagem construída dentro da realidade brasileira, que começa dentro da operação de cada negócio. Métricas, gargalos, ajustes contínuos. Tudo voltado para aquilo que impacta diretamente o faturamento.

“Growth começa onde o achismo termina. O plano que fica no slide não paga boleto”, resume Cleivan. A frase soa simples, mas carrega um diagnóstico preciso de um problema que assola a maioria das empresas em crescimento: o excesso de planejamento desconectado da execução. Estratégias lindas em apresentação, invisíveis na prática.

Ao longo da carreira, esse método contribuiu para gerar mais de R$50 milhões em resultados para empresas de diferentes portes e setores. O reconhecimento veio também em outras frentes: publicação de um case no blog da V4 Company e participação como palestrante no Dia Mundial da Criatividade, promovido pelo Sebrae — iniciativas que ampliaram o alcance da sua visão sobre crescimento empresarial.

Hoje, à frente de projetos ligados ao Grupo Demetrios, Cleivan carrega consigo uma missão que vai além dos números: tornar o acesso à estratégia de crescimento menos exclusivo, menos restrito aos grandes centros e às grandes empresas. A percepção de que muitos negócios permanecem limitados não por falta de talento ou esforço, mas por falta de orientação adequada, acompanha sua história desde o início.

Porque, no fim, a pergunta que o motivou desde o interior da Bahia — por que alguns negócios crescem e outros não? — ainda tem muitas respostas esperando para ser encontradas. E encontrá-las, uma empresa de cada vez, é o trabalho que escolheu para si.

Nota da redação:
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