Pequenos descuidos, grandes prejuízos: o patrimônio que a empresa perde sem perceber
Quando o cuidado com os bens da empresa não vem do exemplo da liderança, dificilmente ele tem importância para os funcionários e colaboradores
Autor: Fernando Prado de Mello é CEO da Saraf
Toda empresa investiu capital para montar sua estrutura, seja um escritório ou um parque industrial. Esses bens tiveram um custo e precisam ser cuidados. O problema é que, quando a cultura de controle patrimonial não está difundida entre os funcionários, o desperdício vira hábito e entra na rotina. O problema começa silencioso.
Eu sempre digo que esse cuidado precisa vir de cima. Se a diretoria e o próprio dono não demonstram preocupação em controlar o que compraram, dificilmente os colaboradores vão ter essa visão.
O erro é achar que o controle patrimonial é somente responsabilidade da contabilidade. Cuidar para que os bens sejam contabilizados corretamente não garantem o bom uso e nem evitam novas compras desnecessárias.
Em ambientes administrativos o que vemos é mobiliário em bom estado sendo descartado e equipamento de informática que quebra, vai para uma salinha que fica trancada e esquecida. Na indústria, a operação foca em manter a fábrica funcionando, e ativos que poderiam ser recuperados ou vendidos acabam na caçamba de sucata. Já acompanhamos o caso de uma máquina de perfuração de mina, equipamento de milhões de dólares, que quebrou, ficou abandonada em campo e deteriorou até virar sucata.
O caminho começa pelo básico: identificar os ativos com placa patrimonial e ter processos para compras, movimentação e descarte de ativos, com alçadas de aprovação bem documentados. Esses passos já mudam a cultural organizacional e como os colaboradores enxergam os bens da empresa. Com procedimentos implantados, políticas divulgadas e treinamento, os próprios funcionários se tornam o que eu chamo de xerifes do patrimônio. Passam a ter mais cuidado e quando encontram um item quebrado, jogado num canto ou em estado precário, eles avisam o controle patrimonial em vez de simplesmente descartar.
Esse novo olhar aparece no resultado. Em empresas com muito item obsoleto, fizemos um levantamento e foi possível recuperar milhões com a venda desses equipamentos. O bem já não servia para aquela empresa, mas tinha utilidade e valor de mercado para outras.
Quando a percepção de valor acompanha todo o ciclo de vida do ativo, desde a necessidade de compra até o descarte, o controle patrimonial deixa de ser função de uma área ou de uma única pessoa e passa a ser responsabilidade de todos.
Sobre o autor:
Fernando Prado de Mello é CEO da Saraf, empresa com mais de 30 anos de atuação em gestão patrimonial e mais de 1.300 projetos de inventário realizados. Especialista em gestão de ativos, acumula experiência na condução de projetos que somam mais de R$ 100 bilhões em patrimônio administrado.
(Crédito: Divulgação)
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